Bernhard Wosien

Sobre Bernhard Wosien

Eu danço uma canção de silêncio,
meus passos afinam-se com a música cósmica
e guiam minha dança
até os limites do céu
felizes por força do Vosso sorriso.
Bernhard Wosien

A principal referência que temos dentro das danças circulares é Bernhard Wosien, um bailarino, pedagogo da dança, desenhista e pintor, que dedicou muitos anos de sua vida a coletar as danças étnicas.

Foi em Findhorn – Escócia no ano de 1976 que Bernhard Wosien, a pedido de Peter Caddy ensinou pela primeira vez uma coletânea de Danças para os residentes de Findhorn.

1908 – Nasceu em Passenheim, Kreis Orteslburg, Masuren (Prússia Oriental), filho do reverendo Louis Wosien e de Antoinette-Linda, Baronesa de Butler-Ponarth.

1986 – Morreu em 29 de abril, em Munique.

Desde 1966 eu tenho viajado com o meu grupo de dança por lugares da Europa onde as mais antigas danças ainda acontecem na sua forma original. Em muitos países, os dias santos são celebrados com danças depois das cerimônias da igreja.

Mas, agora, vamos olhar para as nossas danças – aquelas às quais chamamos “Danças Sagradas”. Na primeira vez em que recebi um convite de Findhorn, tive um feliz pressentimento: lá, eu senti – em FINDHORN – que eu encontraria um território virgem pronto para eu plantar as belas danças em círculos e linhas da Europa antiga. Junto com minha filha, Maria Gabriele, eu fui direto ao âmago da questão e aproveitei a receptividade daqueles que queriam dançar. Selecionei uma peça de encenação de mistérios, “Hino a Jesus”, dos Atos de João, em Apocripha. Lá, naquelas “escrituras escondidas”, nós lemos que Jesus disse a seus discípulos para formarem um círculo com Ele, para darem-se as mãos e fazerem um ato de despedida antes da Sua captura. Jesus foi para o centro do círculo e, em 28 versos, partilhou seus mais profundos pensamentos com eles. Com esta peça, minha primeira coreografia aqui, eu tentei plantar a semente de um acontecimento de dança sagrada. Nos anos seguintes encenamos a peça de mistério “Teseu no Labirinto” e a interpretação coreográfica da estrela de cinco pontas, o Pentagrama.

Bernhard Wosien

Bernhard Wosien

Wosien, professor e Educador

Wosien ensinava filosofia, astronomia, mitologia e numerologia.

Em Munique, ele ensinava balé clássico, dança barroca, renascentista e folclórica na Universidade de Marburg.

No meu encontro com Wosien, o que causou o maior em relação à minha vida e à minha profissão foi que, para ele, a religião e a dança eram uma coisa só.

Antes de conhecê-lo, elas eram sempre duas coisas distintas para mim. Até então, a dança nada tinha a ver com a religião. Eu dançava desde os 5 anos e tinha aprendido toda a técnica. Mas ele nos fez ver que havia algo mais, além da técnica.

Foi Bernhard quem deu uma dimensão muito especial a dança. Ele uniu as duas coisas. A dança folclórica e música, que é horizontal, à dança clássica e música, que é vertical. É uma cruz. Foi ele a primeira pessoa a fazer isto. Isto é realmente dele.

Outra coisa muito impressionante sobre Wosien era a maneira de ele ensinar. Ele ensinava balé como nenhum outro professor. Nenhum! Por exemplo: cada dia da semana os exercícios fora da barra eram feitos de acordo com os 7 planetas.

Às segundas feiras, dia da lua, o treinamento era adágio, às terças feiras, dia de marte, ele fazia passos enérgicos e coordenação; as quartas feiras, dia de mercúrio, passos miúdos e rápidos; as quintas feiras, dia de júpiter eram pulos altos e largos; as sextas feiras, dias de fraia que corresponde a Vênus, deusa do amor, ele fazia todos os exercícios dos dias anteriores e “pas de deux” (danças de casal no balé clássico) no espaço livre, danças na diagonal. Sábado dia de saturno, ele reunia tudo. Era uma coreografia inteira. Domingo dia de celebração o brilho do sol!

Um mestre singular

Bernhard Wosien tinha um carisma incrível. Mesmo tendo sofrido um derrame ao final da vida, ele não podia dançar muito, mesmo assim ele manteve seu carisma. Ele tinha uma energia impressionante; quando estava entre nós, era uma imensa alegria: sua presença e animação eram contagiantes.

Eu também quero lhes passar a ideia de que ele era um homem estruturado somente quando trabalhava com balé clássico. Mas não com as danças circulares.

Ele mudava as danças toda hora, porque, para ele, não era a posição dos pés, a técnica e estas coisas que importavam, era sim a dança em si mesma. Se você pedisse a ele para refazer os passos outra vez, do mesmo jeito que ele tinha ensinando antes, ele se irritava, porque era como negar que ele fosse um artista. Um artista nunca pinta o mesmo quadro duas vezes! Ele criava uma dança e ela ia embora, perdia-se. Então, nós o imprensávamos: “o que foi isto? o que foi que você fez? eu anotava e perguntava:” o que isto significa? E ele explicava que quando criava uma dança com música clássica, que nunca dizia “eu fiz esta dança; ele simplesmente falava: “esta dança aconteceu em mim”“.

Foi na verdade uma pura alegria, uma celebração e um grande privilégio ter podido vivenciar isso e ter trabalhado com ele.

Fonte: Jornal Roda de Luz – janeiro/fevereiro/março de 2004.

Texto: Friedel Kloke

 

Um bailarino se despede

Um bailarino se despede

Um pouco mais sobre Bernhard Wosien

1908 – Nasceu em Passenheim, Kreis Orteslburg, Masuren (Prússia Oriental), filho do reverendo Louis Wosien e de Antoinette-Linda, Baronesa de Butler-Ponarth.

1923 – Membro do balé Junge Bühne (O Jovem Palco).

1930-33 – Estudo de teologia evangélica, de história da arte, pintura e dança clássica na Universidade e Academia de Artes de Breslau e na Escola Superior de Artes de Berlim.

1933-34 – Bailarino clássico no teatro de Ópera Municipal de Berlim.

1934-35 – Estudo de dança em Paris.

1936-44 – Primeiro bailarino solista no Teatro Estadual Prussiano, em Berlim.

1939 – Casamento com Elfriede, baronesa de Ellrichshausen, tiveram três filhos.

1941-43 – Mestre bailarino e primeiro bailarino solista no Teatro Estadual. Professor de dança na Escola Estadual de Teatro.

1944 – Mestre de balé e coreógrafo no Teatro Estadual de Sachsen, Dresden. Primeiro bailarino solista na Ópera Estadual de Dresden.

Setembro: Convocação, como soldado, para a Dinamarca, depois prisioneiro de guerra dos aliados.

1945 – Turnês de dança para as forças de ocupação americanas.

1946-1948 – Coreógrafo no Teatro Estadual de Württemberg, em Stuttgart.

1950-52 – Coreógrafo, mestre de balé e primeiro bailarino solista no Teatro Estadual de Sachsen, em Dresden.

1952-54 – Contrato de pesquisa junto ao Grupo Estadual para a Arte Popular Sérvia, em Bautzen. Pesquisa de folclore e costumes populares: anotação, reconstrução, levantamento das formas, desenvolvimento das antigas rodas, problemas das novas criações nas peças e pantomimas dançantes – em 1962 recebe o Prêmio Estadual de Trabalho Folclórico pela pesquisa.

1954-58 – Coreógrafo dos Palcos Municipais de Nürnberg e Fürth.

1962-75- Docente em pedagogia da dança na Escola Técnica Superior para Serviço Social e da Juventude da Cidade de Munique e na Escola Técnica para Terapia Ocupacional. Colaborador no Instituto Friedrich-Meinertz e na Clínica Heckscher em Munique, desenvolvimento de métodos terapêuticos em movimento e expressão, pesquisa empírica de métodos de pedagogia de cura com crianças com distúrbio comportamentais, danos cerebrais e com desajustes resultantes de seu meio social.

1965-86 – Nomeado Pedagogo da Dança na Universidade Phillips em Marburg/Lahn para pedagogia de escolas de excepcionais.

1976 – Encontro com Findhorn (Escócia) e início da expansão internacional da Sacred Dance (Dança Sagrada).

1985 – Paralelamente à sua carreira artística como bailarino, coreógrafo e pedagogo da dança, dedicou-se também à pintura e ao desenho – exposições no país e no exterior.

1986 – Morreu em 29 de abril, em Munique.

Bibliografia:

WOSIEN, Bernhard. Dança: um caminho para a totalidade, TRIOM, 2000.